Por Patrícia Marcondes de Barros Publicado em 1988, 1968: O Ano que Não Terminou , de Zuenir Ventura , é mais do que uma reconstituição histórica de um dos anos mais turbulentos da história recente do Brasil. É também um exercício de memória sobre um momento em que política, cultura, juventude e comportamento pareciam atravessar o mesmo campo de disputas. Ventura retorna aos acontecimentos para reconstruir o ambiente de efervescência e, ao mesmo tempo, de crescente repressão que marcou a sociedade brasileira. O livro parte de um paradoxo: como um ano pode terminar e, ainda assim, continuar produzindo significados? No Brasil, 1968 condensou expectativas de transformação que vinham se formando desde o início da década e, ao mesmo tempo, anunciou o endurecimento que se seguiria ao AI-5 , decretado pelo regime militar em dezembro, acabando com qualquer liberdade civil. Entre esses dois extremos, a esperança de mudança e a interrupção brutal das possibilidades, constrói-se a narrativa...